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Cepel, Instituto Fraunhofer e agentes do setor elétrico discutem requisitos do futuro Laboratório de Redes Inteligentes do Centro

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Cepel, Instituto Fraunhofer e agentes do setor elétrico discutem requisitos do futuro Laboratório de Redes Inteligentes do Centro

06-09-2016

O Cepel e o Instituto Fraunhofer-Gesellschaft da Alemanha promoveram, no dia 31 de agosto, um workshop sobre o futuro Laboratório de Redes Inteligentes do Centro, cujo projeto está sendo financiado com recursos do Projeto de Assistência Técnica dos Setores de Energia e Mineral (Projeto META), firmado entre o Banco Mundial e o Governo Brasileiro, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME).

 

O objetivo do workshop, realizado na Unidade Fundão do Cepel, foi avaliar, junto às instituições presentes no evento, os requisitos de infraestrutura para ensaios e pesquisa que o laboratório deverá ter para atender às demandas – atuais e futuras - das redes inteligentes no país, como destacaram o diretor-geral do Cepel, Albert Melo, e o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Centro, Roberto Caldas.

 

“A proposta é que o laboratório de redes inteligentes do Cepel se torne uma referência nacional. E, para introduzir novas tecnologias em um sistema elétrico complexo como o brasileiro, é preciso se antecipar a possíveis maus funcionamentos. Daí a importância de se definirem o escopo e a estratégia de implantação da infraestrutura. Para isso, contamos com o apoio de uma instituição como o Instituto Fraunhofer, contratado por meio de um processo de concorrência internacional baseado na Qualidade e Custo, e também com as contribuições dos agentes do setor”, afirmou Albert Melo, ao dar as boas-vindas aos participantes, em nome do MME e da Eletrobras.

 

Na mesma linha de pensamento, o diretor Roberto Caldas ressaltou a importância das contribuições dos agentes do setor durante o workshop não só para dar início ao desenvolvimento do laboratório, mas também para que sua estruturação seja flexível para atender às necessidades de expansão de uma instalação deste porte. “A partir da contribuição de vocês ao que está sendo proposto pelo Cepel e pelo Instituto Fraunhofer, vamos incorporar ao que seria o roadmap de evolução do laboratório, já apontando aquilo que, dentro da realidade brasileira, será necessário para auxiliar na construção de instrumentos importantes para a evolução das redes de distribuição do país”, concluiu.

 

Sobre a participação no projeto do laboratório do Cepel, o diretor da Divisão de Engenharia de Sistemas do Instituto Fraunhofer, Philipp Strauß, enfatizou: “Esse projeto é muito importante, pois está inserido numa série de atividades relativas ao planejamento do ambiente de laboratórios de smart grid em nível global. É algo que apresenta um grande desafio, o de desenvolver em vários países essa questão [smart grid], na qual estou trabalhando há mais ou menos 10 ou 12 anos. Ficamos muito felizes em obter o contrato para darmos suporte a esta iniciativa”.

 

O Instituto Fraunhofer é a maior organização de pesquisa aplicada da Europa, possuindo mais de 80 centros de pesquisa. Durante os 11 meses de consultoria contratada em maio deste ano, o Cepel vai trabalhar em conjunto com o Fraunhofer IWES (Wind Energy & Energy System Technology) e o Fraunhofer Fokus (Open Communication Systems).

 

A respeito do feedback dos principais stakeholders do futuro laboratório, Strauß pontuou: “É de extrema importância envolver todas as partes interessadas no processo. Claro que os operadores do laboratório devem participar, mas todos aqueles que vão se beneficiar dele devem também apresentar seus pontos de vista para que saibamos o que se faz necessário no Brasil em relação a diferentes perspectivas”.

 

Além de Strauß, representaram o Instituto Fraunhofer no evento Norbert Henze e Peter Hasse. Os especialistas apresentaram uma prospecção sobre os mais importantes laboratórios mundiais de redes inteligentes e as normas utilizadas em ensaios e testes. Também detalharam os principais requisitos e campos de atuação deste gênero de laboratórios, como interoperabilidade, testes de interface com a rede, emulação de redes de comunicação e medição, bem como a necessidade da acreditação de acordo com a norma IEC ISO 17025.

 

O workshop contou com a intensa participação dos presentes, dentre eles os professores Glauco Taranto, da UFRJ; Marcos Gouveia, da USP; José Luiz Pereira, da UFJF; o gerente de P&D da Eletrobras Marcelo Ximenes; Rosane Debatin, do Inmetro; além de pesquisadores do Cepel e representantes de fabricantes de equipamento.

 

Atividade Consgrid e o laboratório

 

Como explicou o chefe do Departamento de Tecnologias de Distribuição do Cepel, Ricardo Ross, a implantação do Laboratório de Redes Elétricas Inteligentes do Cepel está sendo realizada dentro da Atividade Consgrid (Consultoria de Smart Grids), no âmbito do Projeto META.

 

Com área abrigada, complementada por uma externa, o laboratório será implantado na Unidade Adrianópolis do Centro. Em suas instalações, serão investigados aspectos técnicos diversos das redes inteligentes, constituídas de diversos subsistemas, equipamentos e dispositivos, de modo a verificar sua aderência a normas técnicas nacionais e internacionais e examinar seu desempenho em condições similares às encontradas em instalações reais em campo.

 

O projeto básico do laboratório deverá conter as definições das áreas internas de ensaios e instalações experimentais expostas ao tempo; sala de controle; tensões e potências máximas de ensaios; sistemas para emulação dos ambientes de teste para integração da geração distribuída à rede elétrica; e simulação em tempo real.

 

Ross ressaltou que um ponto importante a se considerar no projeto básico do laboratório é que ele tenha flexibilidade para permitir sua evolução à medida que surgirem os recursos e as necessidades. “Além disso, a especificação dos componentes e sua interconexão também são bastante relevantes, assim como a verificação das normas e protocolos para garantir a interoperabilidade, realizar pesquisa experimental e a operação conjunta de equipamentos e sistemas smart grids”, complementou.

 

Quanto aos beneficiários do laboratório, o pesquisador sinalizou que, além da Eletrobras e empresas de distribuição, a ideia é elaborar projetos em conjunto com concessionárias, fabricantes de equipamentos, e estabelecer cooperação com entidades de ensino e pesquisa brasileiras e internacionais.

 

Concluído o projeto básico, o Cepel dará início ao processo de negociação das demais etapas para implantação do laboratório.

 

Equipe Fraunhofer no Brasil

 

A agenda dos especialistas do Instituto Fraunhofer-Gesellschaft no Brasil, entre 30 de agosto e 1º de setembro, contou não só com a promoção do workshop em conjunto com o Cepel, mas, também, com outras atividades previstas no contrato de consultoria.

 

Eles participaram de reuniões técnicas com pesquisadores do Cepel, onde foram discutidos, dentre outros tópicos, o Termo de Referência inicial emitido pelo Centro e os principais feedbacks recebidos após o workshop. O instituto ainda apresentou as características dos principais laboratórios de Redes Inteligentes no mundo. Além de Ross, participaram das reuniões os pesquisadores do Cepel Cesar Jorge Bandim; Igor Ferreira Visconti; Oscar Solano Rueda; José Eduardo da Rocha Alves Jr.; Marta Maria Olivieri; Alberto José Salomon Junqueira; Alexandre Neves; e Wagner Duboc.

 

Os especialistas do Fraunhofer também visitaram a Unidade Adrianópolis do Cepel. Na ocasião, tiveram oportunidade de conhecer outros laboratórios que, de acordo com Ricardo Ross, poderão compartilhar instalações ou complementar as atividades do Laboratório de Redes Elétricas Inteligentes.