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Cepel aborda papel da hidroeletricidade em serviços de flexibilidade em workshop da Agência Internacional de Energia

Detalhes: Notícias

Cepel aborda papel da hidroeletricidade em serviços de flexibilidade em workshop da Agência Internacional de Energia

29-06-2020

O pesquisador do Cepel Albert Melo foi um dos palestrantes do workshop “Valuing Hydropower Flexibility in Evolving Electricity Markets”, promovido, no início de junho, no âmbito do Annex IX do Grupo de Trabalho de Cooperação Tecnológica em Hidroeletricidade da Agência Internacional de Energia (IEA HYDRO). O evento debateu como são definidos e adquiridos os serviços de flexibilidade, cada vez mais necessários em virtude da crescente integração das fontes variáveis de energia renovável (VREs), como eólica e solar, aos sistemas elétricos, e até que ponto estes serviços são compensados ou remunerados em diferentes partes do mundo. Esteve em pauta o papel da energia hidrelétrica na prestação destes serviços.

 

De acordo com Albert Melo, embora a hidroeletricidade seja a maior fonte de energia renovável, e as usinas hidrelétricas (com reservatório, a fio d´água e de bombeamento) desempenhem um papel importante na integração das VREs aos sistemas elétricos, os serviços prestados pelas hidrelétricas neste sentido ainda não são amplamente reconhecidos, nem adequadamente remunerados em nenhum mercado. “Adicionalmente, a energia hidrelétrica precisa competir com várias outras tecnologias, como baterias, resposta à demanda, redes elétricas inteligentes, para fornecer esses serviços. Assim, há a necessidade de melhor compreender os possíveis recursos de flexibilidade que as hidrelétricas podem oferecer à medida que os sistemas globais de eletricidade sofrem transformação”, complementa.


O pesquisador explica que, devido à capacidade de as usinas hidrelétricas iniciarem ou modularem a sua operação muito rapidamente - em questão de minutos e, em alguns casos, de segundos - , elas se constituem em uma tecnologia de geração bastante flexível, podendo funcionar como usinas de base, seguimento de carga “load following” ou de ponta. Esta característica, juntamente com outros serviços ancilares, é particularmente importante em sistemas com elevada penetração de VREs.


No Brasil e em outros países, diversos serviços ancilares têm sido providos por hidrelétricas. Albert cita alguns exemplos, como o suporte de potência reativa e controle de tensão, especialmente por unidades geradoras que operam como compensadores síncronos. Neste caso, obtêm-se benefícios sistêmicos, como suporte de reativos em regime dinâmico, agregação de inércia, elevação dos níveis de curto-circuito, eliminação de riscos de autoexcitação e sobretensões/subtensões transitórias, além do controle de tensão em regime permanente.


Os Sistemas Especiais de Proteção (SEPs) também são um serviço ancilar fornecido por hidrelétricas. OS SEPs compreendem os esquemas de controle de emergência e de controle de segurança, que, a partir da detecção de condição de risco para o sistema elétrico, realizam ações automáticas para preservar a integridade do Sistema Interligado Nacional (SIN) ou de seus equipamentos. O pesquisador também menciona o controle primário de frequência, o que ocorre por meio de reguladores automáticos de velocidade das unidades geradoras e da regulação secundária de frequência por unidades geradoras participantes do controle automático de geração. Essas unidades restabelecem a frequência de um sistema e/ou o montante de intercâmbio de potência ativa entre subsistemas ao valor programado. Por último, Albert menciona o autorrestabelecimento integral, isto é, a capacidade de uma central geradora de sair de uma condição de parada total para uma condição de operação, independentemente de fonte externa para alimentar seus serviços auxiliares, contribuindo para o processo de recomposição do sistema elétrico.


“Um tema emergente e transversal, que também está afetando e afetará no futuro a produção de energia elétrica, quer por hidrelétricas, quer por outras renováveis, como a eólica e a solar, é a questão das mudanças do clima, com impacto, entre outros, nos requisitos de flexibilidade do sistema elétrico”, chama a atenção o pesquisador. O Cepel vem discutindo este tema por meio do Projeto MudClima – Mudanças Climáticas no Setor Elétrico em Termos de Mitigação, Adaptação e Resiliência, e seus Reflexos nas Empresas Eletrobras, coordenado pela pesquisadora Maria Elvira Maceira, e, também, através da participação do Centro no IEA HYDRO.


Albert complementa que, “após o mapeamento dos diversos serviços providos pela hidroeletricidade e a identificação de formas para a sua valorização, este grupo de trabalho, assim como os demais da IEA Hydro, procurará incorporar os impactos das mudança climáticas – daí a importância da participação ativa do Cepel nas atividades deste grupo de cooperação tecnológica da IEA, o que tem trazido benefícios, especialmente para as empresas Eletrobras”. Como exemplo, cita que foi estabelecida uma atividade comum entre os Annexes IX e XII (Managing the Carbon Balance in Freshwater Reservoirs, coordenado pelo pesquisador do Centro Jorge Damazio), relacionada aos serviços de gerenciamento de secas e controle de cheias.


O workshop foi aberto por Atle Harby, do Sintef Energy Research (Noruega), coordenador do Annex IX, e contou também com os palestrantes Audun Botterud (Argonne National Laboratory – EUA); Elena Vagnoni (EPFL, Suíça); Donald Vaughan (Entura, Austrália); SS Barpanda (Posoco, Índia); Fredrik Arnesen (NVE, Noruega); Guillaume Tarel (Hydro Quebec, Canadá); e Abishek Somani (Pacific Northeast National Laboratory, EUA). Entre os participantes brasileiros, destacam-se Cesar Ribeiro Zani (ex-diretor de Operação do Sistema e Comercialização de Energia de Furnas e ex-conselheiro do Cepel), co-autor da palestra do pesquisador Albert Melo; Jorge Damazio e Maria Elvira Maceira, ambos pesquisadores do Centro.