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Cepel e SPIC Brasil assinam Memorando de Entendimento para desenvolvimento de projetos de energia no país

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Cepel e SPIC Brasil assinam Memorando de Entendimento para desenvolvimento de projetos de energia no país

26-11-2020

O Cepel firmou, ontem (26), um Memorando de Entendimento (MOU), com a SPIC Brasil, subsidiária da State Power Investment Corporation of China (SPIC), e o instituto de pesquisa em energia inteligente da SPIC na China, o SNPDRI. O objetivo da parceria, a primeira envolvendo o instituto de pesquisa chinês na América Latina, é desenvolver um programa de troca de experiências e tecnologias na criação de projetos de energia, além de fortalecer a cooperação entre Brasil e China. A previsão é de que a SPIC Brasil e sua matriz invistam cerca de R$ 20 milhões, a fundo perdido, para dar início aos projetos.


O MOU foi assinado pelo diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, pela CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, e o chairman do SNPDRI, Xu Qian, em cerimônia virtual, que contou com a participação do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque; do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming; do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior; do chairman da SPIC, Qian Zhimin; dentre outras autoridades e executivos do Brasil e da China.


“Em um cenário marcado pela transição energética em nível mundial, em que são relevantes os aspectos socioeconômicos e ambientais, cresce ainda mais o valor do segmento de P&D+I na busca de soluções orientadas para uma economia de baixo carbono. Este cenário requer também fortalecer parcerias colaborativas e estratégicas, que permitam reunir competências e compartilhar o conhecimento”, ressaltou o diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro.


Guerreiro avalia a parceria com a SPIC Brasil como mais uma oportunidade de aplicar a experiência acumulada ao longo de mais de 45 anos da existência do Centro na concepção e no desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicáveis à geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia. “Para além do desenvolvimento de software orientados ao planejamento da operação, à automação dos sistemas e ao monitoramento dos ativos, entre outros, o Cepel dispõe de uma infraestrutura laboratorial importante, com algumas instalações únicas na América Latina, permitindo a realização de pesquisa experimental, ensaios, serviços tecnológicos e perícias, e que, certamente, serão de grande utilidade no decorrer dos projetos com a SPIC Brasil”, assinalou, acrescentando que a futura Casa NZEB do Cepel e o Laboratório de Redes Elétricas Inteligentes, em fase final de implantação, também poderão apoiar a iniciativa.


Para o diretor do Cepel, com o MOU, totalmente alinhado às diretrizes estratégicas seguidas pelo Cepel, abrem-se, também, possibilidades de fomentar novas parcerias em temas de grande interesse do setor elétrico. “O acordo prevê a implementação de projetos de smart energy e cooperação tecnológica em projetos de P&D envolvendo geração fotovoltaica, eficiência energética, armazenamento de energia com base em hidrogênio, mobilidade urbana, dentre outras áreas. [...] É um passo importante na parceria estratégica que têm Brasil e China. As expectativas são, pois, as melhores. Expectativa por um profícuo intercâmbio de experiências e conhecimento. Expectativa em desenvolver projetos diferenciados. Expectativa, enfim, por soluções inovadoras”, complementa.


Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil, explica que o termo de cooperação envolve basicamente três pilares: o de energia inteligente integrada, o de energia através de células a combustível de hidrogênio, e o armazenamento, por meio de superbaterias de lítio e grafena. “Vamos iniciar [a parceria], desenvolvendo um projeto piloto de energia inteligente, que é aquela energia que visa à integração e gerenciamento de sistemas de gás, aquecimento, água e energia elétrica, sob a ótica da geração e cogeração. Ele envolve o armazenamento, o gerenciamento do consumo e o uso de equipamentos eficientes. Tudo para maximizar resultados energéticos, econômicos e ambientais”.


Segundo Waltrick, a ideia é aliar o desenvolvimento já existente no centro de pesquisa da SPIC na China, o SNPDRI, focado em energia inteligente, com o do Cepel e aplicá-lo no projeto piloto, demonstrando, a princípio em uma unidade de serviço público, sua viabilidade energética, econômica e ambiental. De acordo com a CEO da SPIC Brasil, o projeto, portanto, demonstrará a viabilidade do conceito de energia inteligente nos centros urbanos brasileiros, uma tendência do setor elétrico mundial.


A executiva acrescenta que se trata de uma parceria, a princípio, de dois anos, mas que deve ser renovada e estendida a longo prazo, à medida que a SPIC está aumentando sua atuação no Brasil e o Cepel tem longa tradição de inovação no setor elétrico brasileiro. A partir do mapeamento de soluções e oportunidades, os projetos podem, futuramente, também ir ao encontro de projetos P&D Aneel. Waltrick afirmou que, assim como em uma joint venture, a parceria envolve tanto o compartilhamento de riscos e recursos, quanto da propriedade intelectual sobre os resultados das pesquisas.


O acordo também visa promover a cooperação entre universidades e centros de pesquisa em matéria de armazenamento de energia. Prevê, ainda, o intercâmbio de pesquisadores do SNPDRI e do Cepel, para avaliar as experiências que poderiam ser aplicadas no Brasil e que tipo de projetos implementar a partir delas. Nas palavras de Waltrick, a ideia é, portanto, “catalisar a inovação”.


Ponto de vista das autoridades brasileiras e chinesas


Durante a cerimônia, o ministro Bento Albuquerque ressaltou que a parceria firmada contribuirá para manutenção dos elevados índices de produtividade que o Brasil possui na geração de eletricidade por fontes renováveis. “Parabenizo os envolvidos por esta assinatura de entendimento, pois entendo que será útil para manutenção de um ambiente de competitividade e inovação, por meio da incorporação de novos conceitos e tecnologias, boas práticas e outros referenciais de modernidade”, afirmou o ministro, colocando a equipe do MME à disposição para contribuir no que for possível para o MOU.


Assinalando que tanto a China, quanto o Brasil são grandes produtores e consumidores de energia, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, desejou sucesso no memorando de entendimento e o designou como um novo fruto da parceria bilateral entre os dois países, estabelecida há longa data.


Em breve balanço sobre o progresso dos negócios da SPIC, Qian Zhimin, chairman da SPIC, destacou que, mesmo com a pandemia de covid-19, a cooperação junto ao setor de energia no Brasil tem alcançado grandes avanços. Segundo ele, a pretensão é cada vez mais contribuir, inclusive em termos de investimento e financiamento de novos projetos de P&D+I, e o MOU assinado insere-se neste contexto. O chairman da SPIC acredita que Brasil e China possam dar uma grande contribuição para o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono e para a redução de emissões de gases de efeito estufa em nível mundial.


O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, também destacou que o memorando de entendimento Cepel -SPIC Brasil- SNPDRI representa um estreitamento dos laços de cooperação entre as empresas e países, e a reafirmação de um valor prioritário para a Eletrobras, o da Inovação. De acordo com o executivo, o plano estratégico do Grupo abrange a adoção de medidas crescentes de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, alinhadas ao momento de modernização do setor elétrico que vem sendo liderado pelo Ministério de Minas e Energia, e afirma não ser possível falar em inovação no setor elétrico, sem falar do Cepel.


“Para a Eletrobras, contar com um centro de pesquisas com o porte do Cepel, referência nacional e internacional em pesquisas no setor elétrico, é muito mais do que um privilégio, é essencial para termos chegado até aqui. Com linhas de pesquisas definidas em sintonia com os desafios do setor elétrico nacional, a contribuição do Cepel extrapola os limites do grupo Eletrobras e beneficia toda a sociedade brasileira. [...] Juntos, com cooperação e inovação, unindo dois países e centros de pesquisa de excelência, venceremos os desafios contemporâneos e geraremos cada vez mais valor em nossos negócios e relacionamento com stakeholders”, finaliza.


Sobre a SPIC e a SPIC Brasil

 

A State Power Investment Corporation of China (SPIC) é um dos cinco principais grupos geradores de energia da China, com capacidade instalada total de 151 GW, entre energia térmica, hidrelétrica, nuclear, solar e eólica. Com capital social de 45 bilhões de yuans (US $ 6,49 bilhões), ativos totais de 876,1 bilhões de yuans (US $ 126,3 bilhões), está presente em diversos países, como Japão, Austrália, Malta, Índia, Turquia, África do Sul, Paquistão e Brasil.

 

O plano estratégico da SPIC Brasil está focado em energia hidráulica, solar, eólica e gás, bem como em projetos estabilizadores da matriz energética nacional, como termoelétricas a gás natural. A SPIC detém a outorga da usina hidrelétrica de São Simão, entre Goiás e Minas Gerais, além dos empreendimentos eólicos do Vale dos Ventos e Millenium no estado da Paraíba. Recentemente, anunciou participação na GNA, com a aquisição de 33% de dois projetos termelétricos (GNA I e II), em construção no Porto de Açu, Rio de Janeiro.