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Cepel investe na digitalização para enfrentar desafios e atender às demandas de seus clientes

Detalhes: Notícias

Cepel investe na digitalização para enfrentar desafios e atender às demandas de seus clientes

24-02-2021

A digitalização é um dos fios condutores da transformação cultural e do reposicionamento estratégico do Cepel, seja em seus processos e atividades internos, seja na tecnologia e nos serviços fornecidos a seus associados, clientes e parceiros. Tradicional provedor de soluções digitais ao setor elétrico brasileiro, muitas delas aplicáveis a outros setores produtivos, a exemplo das relacionadas à supervisão e controle de sistemas, o Centro, hoje, também tem investido bastante na pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à gestão de manutenção preditiva de ativos. Uma aposta certeira em um momento em que as empresas procuram por processos mais eficientes, capazes de reduzir custos e aumentar sua produtividade.


O tema foi abordado pelo diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, e pelo pesquisador André Tomaz de Carvalho, chefe do Departamento de Linhas de Transmissão e Equipamentos Elétricos do Centro, ontem (23), no sétimo episódio da série de webinários sobre os caminhos da digitalização no setor elétrico, promovida pela MegaWhat. O evento contou com a participação da presidente da MegaWhat Consultoria, Ana Carla Petti, e mediação de Rodrigo Polito, jornalista do Portal.


“Este tipo de monitoramento preditivo tem a capacidade de antecipar um possível sinistro e de possibilitar, tempestivamente, a tomada de medidas necessárias, se não para evitar, pelo menos para minimizar os efeitos de um sinistro como ocorreu em dezembro do ano passado no Amapá por exemplo”, ressaltou Amilcar Guerreiro.


O Cepel tem trazido tecnologias da indústria 4.0, já aplicadas pioneiramente em outras indústrias, como a automobilística e a aeroespacial, para o setor elétrico e, particularmente, para a engenharia de manutenção. Tudo para enfrentar o grande desafio de transformar a grande massa de dados de monitoramento disponível hoje em informações úteis para a tomada de decisão. “Temos trabalhado para trazer para o setor elétrico três pilares da Indústria 4.0: internet das coisas industrial, digital twins, ou seja, réplicas virtuais dos processos e ativos monitorados [estruturais e comportamentais, com simulação em tempo real do equipamento monitorado], e inteligência artificial”, explicou André Tomaz.


Um caso de bastante sucesso da aplicação da tecnologia de digital twins é a utilização do SOMA, sistema desenvolvido pelo Cepel, no monitoramento online dos 20 geradores da usina de Itaipu.” Foi um projeto coordenado pelo Cepel e desenvolvido em parceria com Itaipu e o Parque Tecnológico de Itaipu – Brasil (PT-BR). Implementamos uma IHM-3D das máquinas [digital twins estruturais dos equipamentos] e temos trabalhado para entregar também o digital twin comportamental, com a simulação das máquinas”, ressaltou André Tomaz, acrescentando que o SOMA está sendo expandido para Furnas, Eletronuclear, CGT Eletrosul e Amazonas GT, dentre outras empresas.


Outro case de sucesso citado na área de monitoramento foi o sistema IMA-DP, desenvolvido pelo Cepel para medição de descargas parciais em equipamentos de alta tensão. Fruto de um extenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento, o projeto recebeu dois prêmios internacionais, com destaque para o angariado em 2018, quando ficou em primeiro lugar na categoria Energia do prêmio Global Engineering Impact Awards, representando uma inovação de impacto para a indústria de energia elétrica. Esta visibilidade internacional gerou vários contatos de empresas interessadas no produto. “Em 2020, formalizamos um acordo para transferência desta tecnologia para a americana Cutsforth, que está embarcando a solução desenvolvida pelo Cepel no seu produto e comercializando esta solução mundo à fora, a começar pelos Estados Unidos e pelo Canadá. É algo que nos enche de orgulho. [...] É o Brasil exportando tecnologia”, ponderou André Tomaz.


Amilcar Guerreiro ressaltou que a digitalização também se faz presente na prestação de ensaios e serviços laboratoriais do Cepel. Hoje, os clientes já podem acompanhá-los remotamente, o que lhes proporciona maior comodidade e economia de tempo e custos, com total segurança e confidencialidade.


O diretor assinalou que a digitalização tem favorecido não só a continuidade de investimento na qualificação da força de trabalho do Cepel - seja por meio de parcerias com universidades do Brasil e do exterior, seja por meio de intercâmbio de conhecimento - como também a capacitação oferecida, por exemplo, a usuários de programas e sistemas do Centro. Uma das metas da instituição é estender sua grade de treinamentos online nas mais diversas áreas.


A este respeito, André Tomaz destacou a importância do contato do Cepel com seus clientes. Este contato, segundo o pesquisador, realimenta os desenvolvimentos do Centro. O impulso para pesquisa aplicada também são as dores dos associados e clientes, suas necessidades. “A partir destas dores e da compreensão das alterações do sistema, vamos formulando nossas estratégias”, acrescentou Guerreiro, citando alguns dos focos do Cepel para um futuro próximo, como o hidrogênio, a simulação do comportamento dinâmico de sistemas elétricos de potência de grande porte com múltiplos elos de corrente contínua em situação de multi-infeed (programa AnaHVDC) e as redes elétricas inteligentes (smart grids). Estas, inclusive, com a inauguração oficial de um laboratório na área ainda no primeiro semestre.


No que diz respeito aos desafios para a expansão de soluções como as providas pelo Cepel, Guerreiro enfatizou que uma questão preocupante é a do financiamento. O diretor citou a MP 998 e a incapacidade do setor de aplicar os recursos disponíveis em P&D. Frisou que pesquisa não se faz de uma hora para outra. É algo a médio e longo prazos. Neste sentido, ressaltou não só a importância do financiamento de projetos de P&D, mas, também, de aportes em institutos de ciência e tecnologia. Em instituições qualificadas, como o Cepel, que apresentem um programa de linhas de pesquisa que seja recepcionado pelos ministérios. Nesta mesma linha de raciocínio, André Tomaz comentou que o investimento em pesquisa é o investimento no desenvolvimento sustentável de um país. “É um investimento altamente rentável. Ontem eu lia que, no auge dos investimentos na NASA, para cada dólar investido, recuperavam-se oito dólares. Um lucro de 800% em pesquisa. Se observarmos os maiores PIBs do mundo, o que eles produzem? Produzem tecnologia”, afirmou. Neste contexto, citou mais um case do Cepel. Desta vez, envolvendo o sistema DianE. “Apenas no primeiro semestre de 2020, ele representou um custo evitado de 40 milhões de reais para uma de nossas empresas clientes”.


André Tomaz encerrou sua participação no webinar, afirmando que todos no Cepel são movidos a desafios, e que a digitalização é um meio buscado para tornar o sistema elétrico mais eficiente, seguro e sustentável. “Realmente estamos bastante motivados a sermos personagens muito ativos nessa transformação digital, construindo o futuro do setor elétrico brasileiro, contribuindo efetivamente para todas essas mudanças e tornando nosso sistema cada vez mais livre de carbono, mais distribuído, mais limpo e verde”.


O diretor do Cepel, por sua vez, reiterou que a pesquisa está por trás de tudo. ”Está, por exemplo, nos bastidores do consumo de energia. Muita gente não percebe isso, porque a energia elétrica está incorporada naturalmente a seu dia a dia. Mas, há muito trabalho para viabilizar tudo isso. É um pouco isso que o Cepel faz.”


Clique aqui e confira a íntegra do webinar.