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É preciso quebrar a caixa para inovar, destaca Guga Stocco em palestra no Cepel

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É preciso quebrar a caixa para inovar, destaca Guga Stocco em palestra no Cepel

26-11-2019

“O mundo digital está abraçando o mundo físico, e o mundo físico tem que se adaptar a essa realidade”, afirmou Guga Stocco, CEO da plataforma de inovação GR1D, em sua apresentação, ontem (25), para o corpo de empregados do Cepel. Neste futuro incerto, em que a tecnologia, ou melhor, a convergência de tecnologias dita a velocidade das mudanças, conceitos como multidisciplinaridade, ter um propósito bem definido e criação de valor são fundamentais para inovar e gerar novas oportunidades de negócios.

 


Em uma explanação recheada de exemplos que mostram que as mudanças estão ao nosso redor, e, muitas vezes, não as percebemos ou não as aceitamos, ficou claro que é preciso “quebrar” a caixa para inovar. Empresas como Whats App, que vêm faturando bilhões de dólares, têm como um dos seus principais diferenciais as pessoas e a forma como trabalham. “Se combinarmos diferentes habilidades, nosso poder cresce; temos mais chances de resolver os problemas. A inovação é multidisciplinar”, ressalta Guga, assinalando também a importância da capacidade de orquestração (de convencer, organizar as pessoas), para atingir objetivos.

 


Neste cenário, as empresas inovadoras não estão tirando o lugar de outras. Simplesmente estão ocupando brechas deixadas por aquelas que não se estruturaram para lidar com este novo mercado, não se estruturaram para engajar as novas gerações. Gerações estas que mudam de cultura a uma velocidade muito maior do que antes e para as quais o produto de maior atratividade são as novas experiências proporcionadas pela era digital, implicando novos padrões de consumo. Para acompanhar todas estas mudanças, “é preciso uma transformação cultural. É preciso mexer na ferida, sair da zona de conforto”, pontua Guga.

 


Um dos casos citados por Guga foi o da Microsoft. A empresa sempre vendeu muito bem, sempre foi líder, mas não se destacava em termos de produto. As coisas começaram a mudar em 2014, quando Satya Nadella substituiu Steve Ballmer como CEO da empresa. O foco passou a ser criar um produto que, muito mais do que lucro, gerasse valor, ajudasse o cliente a crescer. Surgia, assim, o armazenamento em nuvem. Hoje, a Microsoft vale US$ 1 trilhão em valor de mercado.

 


Segundo Guga, a concorrência hoje é muito mais ampla. O maior concorrente da streaming Netflix, por exemplo, não é a Disney, que também produz seriados, mas o Fortnite, um jogo que a Netflix não produz. O maior concorrente da Avon é o Uber, que vem angariando seus vendedores. E assim vai...

 


Por que é tão difícil mudar?

 


Segundo Guga, é difícil entender a realidade do século XXI, com mindset do século XX e instituições do século XIX. O século XX era focado na indústria. Tínhamos um problema e nos especializávamos para resolvê-lo para não quebrar a linha de produção, não prejudicar o lucro. Já o século XXI é focado no ser humano, é dinâmico. “O século XX era complicado. O XXI é complexo. A grande diferença entre o complicado e o complexo é que o primeiro é estático. O complexo é vivo. Hoje, a ideia é life long learning, ou seja, temos de aprender o tempo todo”.

 


Neste sentido, Guga comenta que a escola que transforma os “Steve Jobs” em pessoas comuns precisa mudar. A escola que nos ensina a ter aversão a risco não contribui para a formação dos profissionais do futuro. Agora, precisamos errar, descobrir por que não conseguimos atingir nosso objetivo e criar soluções para alcançá-lo. Precisamos compartilhar, trocar experiências, pedir ajuda, aprender pelas laterais. Quando somamos os diversos conhecimentos, abrimos um mundo novo pela frente.

 


Em suma, no século XX, o core era o lucro. Hoje, é a criação de valor. Antes, tínhamos de eliminar o risco. Agora, temos de abraçá-lo e aprender com ele. Buscar a adaptabilidade, mais do que a estabilidade. Substituir o produto padronizado pelo personalizado. O pensamento linear deve ser substituído pelo pensamento exponencial.

 


No mundo novo, os negócios devem ser como uma plataforma, em que as peças podem ser movidas, adaptadas, substituídas, acrescentadas em diferentes negócios. Fintechs, como o Sem Parar, redes de café, como a Starbucks, já têm mais volume financeiro e clientes do que bancos. Outro exemplo citado por Guga foi o lançamento do WeBank, primeiro banco privado online da China, pela Tencent. O banco, que oferece serviços financeiros para pequenas empresas, comerciantes independentes, recebeu este nome em homenagem ao aplicativo de mensagens da empresa, o WeChat.

 


Falando sobre o Cepel

 


Como destacou o diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, a palestra de Guga Stocco é uma das ações que vêm sendo empreendidas pelo Centro para traçar o seu projeto de reposicionamento estratégico.

 


Com base em tudo que foi dito em sua apresentação, Guga enxerga grandes oportunidades de negócio para o Cepel pelo universo de tecnologias produzidas pelo Centro. De acordo com o especialista, a área de P&D que antes era vista apenas como custo, passou a ser vista como fundamental, um requisito de sobrevivência.

 


“O que é desenvolvido no Cepel não serve só para a área de energia. Há n modelos de negócios que podem ser derivados em cima de tudo que é criado aqui dentro [no Cepel]”, assinala. Para tanto, novamente reitera a necessidade de romper com os paradigmas do século passado, quebrar a caixa, imprimir mais flexibilidade à administração do negócio e dar espaço à multidisciplinaridade.