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Encontro sobre inovação traz novas perspectivas para reposicionamento estratégico do Cepel

Detalhes: Notícias

Encontro sobre inovação traz novas perspectivas para reposicionamento estratégico do Cepel

22-11-2019

O Cepel reuniu, no último dia 21, no Hotel Windsor Florida, zona sul do Rio, representantes do governo, da academia e do mercado para debaterem, com seu corpo gerencial, questões consideradas fundamentais para um reposicionamento estratégico do Centro frente à transição energética e às transformações impressas pela indústria 4.0. “Desde que assumi a direção do Cepel [em abril deste ano], estamos trabalhando em três objetivos estratégicos: alcançar maior sustentabilidade financeira, expandir o portfólio de associados e ampliar a carteira de produtos e serviços. Para atingir estes objetivos, um elemento fundamental é a inovação. Todos os nossos convidados estão, de alguma forma, ligados ao tema inovação, reconhecem o valor do Cepel e podem nos ajudar neste grande desafio”, afirmou o diretor-geral do Centro, Amilcar Guerreiro. Entre os convidados, foi unânime a opinião de que um dos principais capitais do Cepel é a confiança conquistada em sua atuação ao longo dos anos. Esta confiança, credibilidade possibilitará ao Centro atuar em uma posição catalisadora, de interface entre academia, indústria e sociedade.

 


Em pesquisa em tempo real, os participantes identificaram o protagonismo do Cepel junto ao mercado em várias áreas de P&D+I, com destaque para as de automação de sistemas, eficiência energética, gestão de ativos e planejamento energético, áreas estas em que o Centro ainda tem muito a contribuir, como exemplificou Reive Barros, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME). ”Atualmente, nos deparamos com novas fontes de geração de energia e não tivemos um plano industrial para elas. As tecnologias vieram em uma velocidade muito grande, trazendo resultados tão expressivos para o país, não só em termos de redução de custos, mas de redução de emissões de CO2 , que prevaleceram independente de termos esta política industrial. Nossos modelos ainda hoje são predominantemente voltados para a expansão hidráulica. [...] É importante que o Cepel, com sua expertise, seu know-how, procure contribuir ainda mais para o aperfeiçoamento do planejamento, tendo em vista estas novas fontes”.

 


O diretor de P&D+I do Cepel, Raul Balbi Sollero, elencou algumas outras áreas em que o Centro tem sobressaído, como a de simulação de redes elétricas e de desenvolvimento de ferramentas para sistemas e avaliação de equipamentos de alta e ultra-alta tensão. “Na verdade, o Cepel é relativamente pequeno para tantas áreas de atuação. Temos procurado não ficar apenas no desenvolvimento teórico. Temos, no mercado, produtos fundamentais para o Brasil. [...] Um grande desafio para o Cepel é conviver com estas responsabilidades em relação a estes produtos e ao mesmo tempo ter condições de avançar para um sonho maior. Uma das respostas passa pelas parcerias com a indústria, com outros centros de pesquisa e com universidades, o que já temos implementado.”

 


Em relação a áreas em que o Centro deveria orientar sua atuação futura, os resultados da pesquisa apontaram mais uma vez para automação de sistemas e, indicaram outras duas áreas em especial: armazenamento energético e inteligência artificial. De uma forma geral, os participantes do evento entendem que o cenário que se apresenta requer que o Cepel e todos que queiram se destacar no mercado busquem novos modelos de negócios, modelos estes que ultrapassam os limites setoriais.

 


“Quando pensamos na indústria elétrica tradicional – geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia - ela não existe mais. É preciso ter serviços e produtos agregando dados e que possibilitem oportunidades para uma cadeia de negócios muito maior, envolvendo, por exemplo, o mercado financeiro. [...] É importante que as discussões e as oportunidades saiam do setor elétrico e interajam com outros setores”, pontuou Solange David, vice-presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

 


“As fronteiras entre os setores vão ficar mais abertas. [...] No cenário internacional, há um vácuo para suprir a indústria elétrica como um todo, e o Cepel tem plenas condições de preencher esta lacuna se agir de forma decisiva, expandindo os horizontes para além do setor elétrico”, complementou Torsten Schwab, da GIZ.

 


Ambiente para inovação e parcerias

 


Como ressaltou o professor da Coppe/UFRJ Edson Watanabe, um produto só é inovador, quando o mercado o reconhece como tal, o aprova. Segundo ele, para que isso aconteça é preciso criar um ambiente de inovação, e disso o Brasil carece. “Conseguimos formar no Brasil nos últimos 30 anos muitos mestres, muitos doutores, pesquisadores, mas não criamos profissionais com mindset de inovação, para transformar o conhecimento em produto. “É preciso ter gente com ‘softwares diferentes para criar o ambiente da inovação”. Watanabe também considera primordial ampliar a cooperação e a interdisciplinaridade e enxerga no Cepel potencial para tanto.

 


Segundo o professor Alexandre Street, da PUC-Rio, agregar a experiência das gerações mais antigas com as ideias dos mais jovens é uma ótima estratégia. “O que faz a inovação são as pessoas. [...] A integração entre o time e com os clientes amplia a capacidade de inovação [...] O Cepel tem grandes clientes e parceiros. Fortalecer ainda mais este contato direto é algo que pode ser muito produtivo.”

 


Hoje, segundo Franceli Jodas, sócia da consultoria KPMG, é preciso enxergar os clientes como parceiros de negócios. ”Não dá mais para trabalhar sozinho. Não é possível desenvolver todos os skills internamente. Na opinião de Franceli, o caminho é atuar em open innovation, compartilhando a propriedade intelectual quando for o caso para criar um ambiente criativo, para facilitar a geração de ideias inovadoras.

 


Daniel Carocha, também da KPMG, chama a atenção para a rapidez dos avanços tecnológicos, o que torna as alianças fundamentais para uma mudança de mindset e para a geração de melhorias exponenciais. Ele considera que a mudança implica pensar à frente, projetar o the picture of future sem tanto foco nos resultados financeiros primários. Neste sentido, vários participantes assinalaram que o Cepel poderia ser um ambiente protegido para as livres ideias, sem barreiras.

 


Aurélio Augusto Mattedi, da Siemens, comentou sobre a importância dos 3 Ds: descarbonização, descentralização e digitalização. Ele considera que a busca por inovação promove um cenário de transformação, transição, mudanças, que gera desconforto, insegurança. É preciso criar um ambiente que quebre esse desconforto e seja propício a novas ideias. “Na busca por inovação, a diversidade é enriquecedora. [...] As parcerias podem ser um braço catalisador, impulsionador para que o Cepel supere desafios.”

 


Guilherme Arantes, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fez um paralelo entre o momento vivido pelo Cepel e pelo banco, ressaltando que a interdisciplinaridade se faz cada vez mais fundamental. “É impossível, por exemplo, falar em veículos elétricos, sem falar em automação. É preciso ampliar cada vez mais o foco”. A atual dificuldade de disponibilidade de recursos públicos para fazer a indução dos investimentos em inovação também foi um dos pontos abordados por Guilherme. Neste cenário, o capital passa a ser a confiança. No seu ponto de vista, tanto o BNDES, quanto o Cepel podem usar essa confiança para induzir a inovação e conseguir mobilizar recursos privados.

 


Internacionalização e viés social

 


A ampliação da carteira de clientes e parceiros do Cepel para além das fronteiras do Brasil e a competição em nível internacional são consideradas propulsores para novas oportunidade de negócios e alcance de maior sustentabilidade financeira. Segundo os participantes do evento, a agenda energética do Brasil converge com a de outros países no exterior, muitas vezes sendo considerada, inclusive, uma referência. O Cepel poderia valer-se da experiência adquirida com a complexidade do sistema elétrico brasileiro para atingir estes objetivos. Neste sentido, Torsten citou o conjunto de modelos desenvolvidos pelo Centro para o planejamento energético do Sistema Elétrico Brasileiro como um produto de exportação perfeitamente aplicável a países que estão migrando de energia fóssil para renováveis.

 


No contexto de internacionalização, André Clark, CEO da Siemens no Brasil, ressaltou que o Brasil, atualmente, é o melhor mercado do mundo em energia. “No setor energético, já somos internacionalizados. [...] Os maiores players globais já estão no país. [...] O Brasil é um centro global de energia, e o Cepel está inserido neste centro. André afirma que uma característica do Cepel com valor estratégico singular é a de “trust” . “O Cepel é estatal. O Cepel é privado. O Cepel é acadêmico. O Cepel é aplicado. É, portanto, um grande centro de interfaces para a construção de um ecossistema de inovação”. O CEO da Siemens vê condições de o Rio de Janeiro se tornar um centro global de transição energética, tanto pela diversidade de fontes de produção, quanto pela concentração de conhecimento na área, por meio de universidades e centros de pesquisa, com destaque para o Cepel.

 


Elbia Gannoum, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), afirmou que outro ponto de reflexão é que o negócio, além de global, agora é social. “É preciso inserir os anseios da sociedade no seu tipo de negócio [...] Existe uma pressão social não só relacionada ao clima, mas a gênero e outras questões, aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU [...] O Cepel, ao se repensar, deve ter em mente que os negócios são globais e que devem responder à sociedade”. Neste contexto, segundo Elbia, o Centro poderia atuar, por exemplo, ainda mais na questão das mudanças climáticas, trabalhando com medidas de emissão de gases de efeito estufa, e coordenando a certificação de energia.

 


O diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, avaliou os resultados do evento como muito positivos e ressaltou que servirão para aprofundamento das discussões envolvendo o corpo de empregados do Centro e para o desenvolvimento do projeto de reposicionamento estratégico da instituição.