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Equipamento desenvolvido pelo Cepel para inspeção de linhas de transmissão tem patente concedida pelo INPI

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Equipamento desenvolvido pelo Cepel para inspeção de linhas de transmissão tem patente concedida pelo INPI

31-10-2019

O Cepel acaba de ter mais um pedido de patente concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Desta vez, pela invenção de um equipamento voltado à inspeção visual e detecção de falhas internas em cabos condutores de linhas de transmissão. Trata-se de uma solução tecnológica que pode auxiliar, em muito, as companhias de energia elétrica, pois, com o tempo, estes cabos sofrem desgaste, reduzindo sua resistência mecânica, o que pode ocasionar seu rompimento.

 

Para tentar amenizar tais danos, as companhias de energia elétricas realizam inspeções periódicas, empregando procedimentos que, em algumas situações, podem ser demorados e de alto custo. “Uma das grandes vantagens do equipamento do Cepel é o fato de poder ser utilizado em cabos energizados até 500 kV. Além disso, possibilita a detecção e localização de falhas no núcleo do cabo, e a apresentação de sinais sob forma gráfica em tempo real. Estas características inovadoras resultam em um serviço de manutenção mais ágil e com menores custos, contribuindo para o aumento da disponibilidade da linha”, assinalam o pesquisador Ary Vaz, chefe do Departamento de Materiais, Eficiência Energética e Geração Complementar, e o técnico Ildejairo Almeida, integrante da equipe multidisciplinar responsável pela concepção e desenvolvimento do invento.

 

O equipamento é constituído por uma unidade móvel, um robô, com capacidade de percorrer a linha de transmissão, e por uma unidade de controle, microcomputador, que se comunicam via rádio. Sob comando da unidade de controle, o robô se desloca em dois sentidos, adquirindo e transmitindo os sinais capturados por um sensor e câmera de vídeo. Na unidade de controle, os sinais são, então, armazenados, processados e visualizados na tela, em tempo real.

 

“Como o robô permite a detecção de falhas externas (visual) em qualquer tipo de cabo e falhas internas em cabos de material magneticamente permeável (estando o cabo energizado ou não), ele pode ser usado para fazer a inspeção e detectar possíveis falhas em setores que empreguem cabos na realização de trabalhos diversos”, acrescentam Ary e Ildejairo.

 

Recentemente, foi dado o primeiro passo para uma parceria entre o Cepel e as empresas Quality Assurance Consultoria, Climb Services, por meio de um acordo de confidencialidade. Em sequência, deverá ser assinado um contrato de licença de exploração da patente com estas empresas, para permitir a produção e comercialização do uso do robô.

 

 

Sobre o projeto

 

O projeto de pesquisa teve início em 2005, tendo como parceira a Chesf. Em um primeiro momento, o objetivo da iniciativa foi caracterizar a corrosividade da atmosfera a que estavam expostos os cabos condutores das linhas de transmissão e estudar técnicas de identificação de pontos de falha, que pudessem viabilizar o desenvolvimento de um dispositivo para inspeção de cabos condutores em linhas de transmissão. “Como resultado, obtivemos uma técnica não destrutiva para inspeção de cabos condutores, que culminou em um protótipo com capacidade de percorrer uma linha de transmissão. Além disso, demos início à elaboração de um mapa de corrosividade na região de concessão da Chesf”, pontuam Ary e Ildejairo.

 

Em 2008, foi lançada a primeira versão do robô. Submetido a teste em uma linha energizada de 500 kV, da Chesf, ele conseguiu realizar, com êxito, a inspeção no cabo, apresentando, em tempo real, a imagem captada pela câmera de vídeo e o sinal adquirido pelo sensor, inclusive uma falha artificial inserida para o teste.

 

Depois disso, o Cepel prosseguiu sozinho no desenvolvimento do projeto, modernizando o protótipo inicial, por meio da redução do peso do robô e do acréscimo de duas novas câmeras de vídeo de alta resolução para identificação de falhas externas no cabo (e em conectores nele existentes), dentre outras melhorias. Essa etapa, concluída em 2013, deu origem a um segundo protótipo com uma estrutura mais leve, que foi testado, de forma bem-sucedida, em cabos não energizados de para-raios de Itaipu Binacional.

 

 

Patentes

 

Atualmente, o Cepel possui cinco patentes e um desenho industrial concedidos e vigentes, e 10 pedidos de patente depositados no INPI, aguardando deferimento.