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Treinamento apresenta aprimoramentos do sistema SINV, desenvolvido pelo Cepel para estudos de inventário de bacias hidrográficas

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Treinamento apresenta aprimoramentos do sistema SINV, desenvolvido pelo Cepel para estudos de inventário de bacias hidrográficas

03-10-2019

O Cepel realizou, em setembro, mais uma edição do treinamento no sistema SINV, voltado ao estudo de inventário hidrelétrico de bacias hidrográficas, que é uma das primeiras análises a serem realizadas para tomada de decisão sobre quantos projetos são viáveis em uma bacia e quanto de energia cada um deles poderá gerar. Como assinala o pesquisador Igor Raupp, gerente do projeto SINV e um dos instrutores, os estudos de inventário são estratégicos, à medida que as alternativas de aproveitamento do potencial hidrelétrico da bacia são avaliadas previamente, sem ter ainda ocorrido comprometimento de recursos técnicos e financeiros em nenhum projeto específico.

 

“Nos estudos de inventário consideram-se todas as possíveis alternativas de aproveitamento do potencial hidrelétrico da bacia, e avaliam-se os efeitos cumulativos e sinérgicos dos projetos alternativos para maximizar a eficiência econômico-energética, os impactos socioambientais positivos e minimizar os impactos negativos”, ressalta Igor.

 

Ferramenta oficial utilizada para a realização dos Estudos de Inventário, conforme resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e portaria do Ministério de Minas e Energia (MME), o SINV implementa os critérios, procedimentos e instruções descritos no Manual de Inventário Hidrelétrico de Bacias Hidrográficas. O sistema permite representar a topologia da bacia, realizar o dimensionamento energético dos projetos, calcular o custo da energia de cada um e das alternativas de divisão de quedas, permitindo otimizá-las para reduzir custos. O sistema também conta com funções para cálculo dos impactos socioambientais negativos e positivos e análise multiobjetivo, que permite selecionar a melhor alternativa de divisão de quedas. A alternativa selecionada representa o potencial hidrelétrico que será explorado na bacia.

 

No decorrer do treinamento foram apresentados aprimoramentos não só no sistema, como também na metodologia dos Estudos de Inventário desenvolvidos pelo Cepel. Dentre estes aperfeiçoamentos, está uma nova abordagem, proposta na tese de doutorado de Igor (em andamento), para seleção da melhor alternativa de divisão de quedas. Esta abordagem prevê a inclusão de mais dois critérios para a tomada de decisão e a alteração do método multicritério de seleção da melhor alternativa.

 

“Existe uma crítica quanto ao método multicritério atualmente em uso para selecionar a melhor alternativa, pois são considerados pesos específicos para cada um dos critérios. A definição destes pesos é subjetiva, uma vez que estes refletem a importância relativa dos critérios e a subjetividade está na determinação de qual dos critérios é mais importante e, em especial, quão mais importante. Adiciona-se a isto a dificuldade de se convergir na definição de um conjunto único de pesos por parte de um grupo de pessoas, como no caso dos Estudos de Inventário, que são desenvolvidos por uma extensa equipe multidisciplinar. Os métodos que proponho permitem priorizar estes critérios, mas sem a necessidade de informar pesos específicos”, explica Igor.

 

Com base em outros projetos desenvolvidos pelo Cepel, o pesquisador também sugere a incorporação do impacto socioambiental negativo da complementação energética[1](Projeto IAREF - Índice de Impacto Socioambiental Negativo do Não Aproveitamento de Potenciais Hidrelétricos em Estudos de Inventário de Bacias Hidrográficas), bem como a inclusão e a quantificação do benefício ambiental de uma nova tipologia de usina hidrelétrica (Projeto Usina-Plataforma).

 

Participaram do treinamento profissionais  da Eletrobras, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de Furnas, da PCE – Projetos e Consultorias de Engenharia e da Worley Engenharia, consultora responsável pelo Estudo de Inventário do trecho binacional do rio Madeira. O projeto está sendo desenvolvido no âmbito do Memorando de Entendimento firmado em 2015, entre a Eletrobras e a estatal boliviana Empresa Nacional de Electricidad (Ende) para atuação conjunta em temas relativos à integração elétrica e à transferência de conhecimento. No momento, estão sendo definidas as alternativas de divisão de quedas, com utilização do SINV.

 

Como nas demais edições do treinamento no SINV, integraram a equipe de instrutores,  além de Igor, a pesquisadora Priscilla Dafne Shu Chan, responsável pela parte prática e de apresentação do sistema, e os pesquisadores Alexandre Mollica, Denise Mattos, Luciana Paz e Katia Garcia, responsáveis pela parte socioambiental da metodologia. Fernanda Serra, ex-gerente do SINV, também apresentou os resultados do projeto usina-plataforma, que desenvolveu uma nova tipologia de usina a ser implantada em áreas de relevância ambiental, cujas ações têm desdobramentos na etapa de inventário.

 

 

 


[1] Existem alternativas de exploração do potencial hidrelétrico da bacia que estabelecem um limite de geração de energia menor do que o potencial máximo da bacia.  A diferença entre a energia gerada pela alternativa e o máximo que poderia ser explorado na bacia é chamada de complementação energética, uma vez que, abrir mão deste potencial hidrelétrico pode ter como consequência gerar, no futuro, esta quantidade de energia por outra fonte ou por hidrelétrica em outra bacia. Como esta complementação energética futura possui impactos negativos, estes devem ser contabilizados na tomada de decisão para escolha da melhor alternativa de exploração da bacia em análise. Através do Projeto IAREF, na  nova versão do SINV, esses impactos socioambientais negativos passaram a ser considerados também.