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Workshop debate aplicações práticas em barramento de processos

Detalhe: Notícias

Workshop debate aplicações práticas em barramento de processos

07-08-2019


 

Teve início, hoje (7), o Workshop sobre Aplicações Práticas em Barramentos de Processos. A discussão do tema, considerado de extrema importância no atual momento do setor elétrico brasileiro, reúne cerca de 180 participantes na Unidade Fundão do Cepel, um dos promotores do evento, juntamente com Cigre-Brasil e Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e os parceiros ABB, GE, Siemens, SEL, Conprove e Omicron.
 
 

Na abertura do workshop, o diretor de Planejamento do ONS, Francisco José Arteiro de Oliveira, o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Cepel, Raul Balbi Sollero, e o diretor-técnico do Cigre-Brasil, Iony Patriota de Siqueira, ressaltaram alguns dos desafios diante da introdução da nova tecnologia, que consiste na digitalização dos sinais medidos no pátio das subestações e seu envio por fibra ótica para os dispositivos eletrônicos inteligentes de supervisão, controle e proteção por meio de protocolos de rede de computadores.

 


“À medida que o sistema vai aumentando a sua complexidade, essa complexidade vai nos levando cada vez mais a ter requisitos de controle de proteção mais sofisticados. Este workshop marca um salto tecnológico para algo que, no futuro, será inquestionável na vida profissional de todos que é a questão de sairmos de um sistema conhecido, analógico, para um digital, no qual as informações vão estar disponibilizadas em nuvens e que vão ter um multiuso, inclusive para proteção. Isso vai requerer também uma integração muito grande com a Tecnologia da Informação. Neste mundo em rede, em que computadores de bolso, como nossos celulares, atendem a 75%, 80% de nossas necessidades, nada mais natural que passemos por esta evolução, falando de barramento de processos”, afirmou Francisco José Arteiro de Oliveira, que destacou haver uma questão de custo mandatória envolvendo a implantação da tecnologia, bem como o comissionamento das subestações, dentre outros aspectos.

 


Arteiro pontuou que o Brasil vem passando por um momento de transição e que, mais do que nunca, é preciso não perder o conhecimento, passá-lo às novas gerações, para estar preparado para os novos desafios. Exemplificando, mencionou que quando se falava da entrada da fonte eólica na matriz elétrica brasileira, dizia-se que seria um caos no sistema. E não foi. Segundo o executivo, ONS, Cepel e Cigre sabiam que não seria. “Até hoje, a eólica não causou nenhum distúrbio no sistema, porque sabíamos que iríamos perder inércia, que teríamos que recompor inércia de máquina gerante, aumentar nível de reserva de potência. Então, hoje, temos reserva de potência tradicional, reserva de potência para eólica, deixamos espaço nas interligações para operar um sistema com controle automático de geração ativo. Enfim, tudo que estávamos preparados para fazer”, concluiu.

 


Iony Patriota assinalou que o Brasil é conhecido por seu frequente pioneirismo na introdução e teste de novas tecnologias, o que traz vantagens e desvantagens. Especificamente em relação aos receios da comunidade de proteção quanto à utilização da tecnologia de barramento de processos, o diretor-técnico do Cigre-Brasil assinalou como questões preponderantes as relativas à segurança cibernética, confiabilidade, migração, governança (à medida que, no Brasil, as subestações têm múltiplos proprietários) e à interoperabilidade. “Algumas destas questões podem ser solucionadas por fabricantes. Outras envolvem a tomada de decisões por parte das empresas. Há também uma questão estratégica, que é como adaptar os procedimentos de rede atuais não só ao barramento de processos, mas a outras tecnologias, como os medidores fasoriais (PMUs), à Norma IEC 61850 e outras normas digitais”, considerou.

 


Remetendo-se à questão do pioneirismo do Brasil na adoção de novas tecnologias, Raul Sollero rememorou que, em 2004, na Bienal de Paris, foi vista, pela primeira vez, uma demonstração de interoperabilidade ainda em nível de barramento de estação e, na volta ao Brasil, o CE B5 (Proteção e Automação) organizou uma série de treinamentos , convidando especialistas internacionais, para difusão inicial de conceitos envolvendo a tecnologia. “O Cepel também apresentou a tecnologia internamente, e começamos a nos dedicar para que o SAGE, nosso sistema de supervisão e controle, passasse a integrar a rede de barramento de estação. Foi uma das primeiras implementações do mundo no sistema de supervisão e controle a compartilhar uma rede de IEDs com base na Norma 61850, com resultados importantes , por exemplo, na automação da configuração da base de dados”, pontuou.

 


De acordo com Sollero, hoje se presencia um salto adicional, que é a integração através de barramento de processos. “Esta é uma tecnologia realmente promissora pelo seu potencial de tornar mais eficiente todo o processo de gestão de uma subestação por parte de uma concessionária, desde seu planejamento, comissionamento, até sua operação e manutenção. Todo esse processo pode passar a ser executado de uma forma muito mais integrada e automatizada”, afirmou.

 


Teste de interoperabilidade

 


No decorrer do workshop, serão feitos testes de interoperabilidade entre equipamentos de fabricantes diferentes, um dos grandes problemas enfrentados pelas empresas e que o barramento de processos tende a resolver, como assinalou o pesquisador do Cepel Marco Antonio Macciola Rodrigues, integrante do comitê técnico do evento, e coordenador do CE B5 do Cigre-Brasil. “Um dos pontos-chave da tecnologia de barramento de processos é o fato de ela ser interoperável. Ou seja, é possível ter um equipamento de um fabricante funcionando com o de outro. Os testes envolvendo os equipamentos processam sinais provenientes de sistemas de simulação da Conprove e Omicron e visam demonstrar que esta interoperabilidade realmente existe no barramento de processos. Há pontos a serem aprimorados, mas, em geral, é excelente”.

 


Segundo Macciola, com as simulações, será possível demonstrar que a tecnologia de barramento de processo permite às empresas o desenvolvimento de soluções próprias, que independem de um determinado protocolo de fabricante, funcionalidade já consagrada no nível do barramento de estação.

 


Nos testes, será modelada uma subestação digital com um vão de linha com barra em configuração de disjuntor e meio e um vão de transformador. Além da demonstração de interoperabilidade, também estão previstas uma demonstração do procedimento de intervenção no sistema (para manutenção ou expansão) utilizando as facilidades do modo de testes da norma IEC 61850 e a demonstração de um transformador de instrumentos não convencional (TP/TC ótico).

 


Além de Macciola, integram o comitê técnico do evento Denise Borges de Oliveira (ONS), Denys Lellys (GE), Júlio Cesar Marques de Lima (CE B5/ PUC-Minas), Pablo Humeres Flores (Eletrosul) e Tatiana Maria Tavares de Souza Alves (ONS).


O workshop segue ate amanhã, com palestras de especialistas no tema.