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Inovação e digitalização foram os temas da terceira edição do Ciclo de Palestras do Cepel

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Inovação e digitalização foram os temas da terceira edição do Ciclo de Palestras do Cepel

18-09-2017

A inovação e a digitalização no segmento de distribuição de energia foram os temas centrais da palestra ”Tendências para a distribuição de energia elétrica no Brasil: A inovação e a digitalização”, realizada dia 22 de agosto, na Unidade Fundão do Cepel. A palestra foi proferida pelo diretor de Inovação da ENEL Brasil, Bruno Cecchetti; e pelo presidente da ENEL Distribuição Rio, Ramón Castañeda. As apresentações fizeram parte da terceira edição do Ciclo de Palestras sobre Inovação Tecnológica com Ênfase no Setor Elétrico promovido pelo Centro. Cerca de 60 pessoas prestigiaram o encontro, aberto pelo diretor-geral do Cepel, Marcio Szechtman.

O processo de inovação foi o eixo central da palestra do diretor de Inovação da ENEL Brasil. Em sua apresentação, Bruno Cecchetti também abordou assuntos como investimentos e perspectivas de novos projetos. ”Neste momento de grandes mudanças tecnológicas para o setor, a gente percebe que o setor elétrico está para viver uma mudança radical, em termos de modelo de negócio, com geração distribuída e armazenamento, entre outras coisas. Para isso, a gente entende que a melhor forma de liderar nesse contexto é com inovação aberta”, explicou Cecchetti.

O diretor de Inovação da ENEL destacou, também, pontos como novos modelos de negócio e mobilidade. “Temos uma estratégia global chamada Open Power, que significa estar aberto a novas formas de negócio, novas parcerias e novos ambientes de inovação. Acreditamos que a forma de permanecer líder é abraçando o novo, dessa forma aberta. Explorando as diferentes possibilidades de novos modelos de negócio, de como complementar o nosso negócio atual com tecnologias, como por exemplo a digitalização, e oferecer serviços à mobilidade elétrica, que permitam com isso a nossa empresa se diferenciar e dar um novo papel para as empresas tradicionais do setor elétrico. Fomentando a mudança”, explicou Bruno Cecchetti.

O executivo falou, ainda, sobre sustentabilidade e destacou a liderança exercida pela empresa na área de energia renovável. “Nosso propósito como empresa é ajudar a resolver alguns dos maiores desafios da humanidade. Nosso foco como business é muito associado a levar energia a quem não tem. A mudar a matriz energética para uma matriz limpa e assim contribuir para a redução de emissões”, explicou Cecchetti, destacando que a empresa conquistou, em 2017, o Prêmio Nacional de Inovação da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) na categoria Gestão da Inovação. “O que a gente está fazendo de novo é ter uma inovação aberta com os nossos colaboradores. Então, todos os funcionários e parceiros podem contribuir gerando inovações que em geral são incrementais”, disse.

Busca pela qualidade na distribuição passa pela digitalização

Na sequência, o presidente da ENEL Distribuição Rio, Ramón Castañeda, proferiu sua palestra. Castañeda falou sobre o uso da digitalização como parte de uma estratégia voltada para a busca da melhoria da qualidade dos serviços de distribuição prestados pela empresa. A estratégia foi implantada em 2014 pela distribuidora, que possui cerca de 3 milhões clientes no estado do Rio de Janeiro.

“Hoje, para a Enel Rio, a digitalização significa a melhoria da qualidade de fornecimento e o principal objetivo é acrescentar tecnologia em um prazo curto de tempo. Além disso, a digitalização da rede é apenas uma parte. Também precisamos digitalizar os processos e o atendimento ao cliente. Ao final, tudo tem como objetivo prestar um serviço melhor, seja no fornecimento seja no atendimento. O maior desafio nosso hoje é a qualidade”, afirmou Castañeda.

Segundo Ramón Castañeda, o processo de digitalização está alinhado aos objetivos estratégicos da distribuidora, que incluem: levar energia para um maior número de pessoas; utilizar novas tecnologias para distribuição de energia; adotar novas formas de gestão de energia; oferecer energia para novos usos, como por exemplo, para veículos elétricos; e firmar parcerias.

O executivo da ENEL Distribuição Rio, também abordou questões como a relação entre inovação tecnológica e economia disruptiva. Ramón Castañeda usou como exemplos as transformações ocorridas nos últimos anos na área de hotelaria e no mercado fonográfico, com o advento de novas tecnologias e o uso de aplicativos, que resultaram em mudanças significativas nesses setores. “O setor elétrico também será afetado”, afirmou Castañeda.

De acordo com Ramón Castañeda, a digitalização é um dos pilares da estratégia da ENEL para 2017-2019, período no qual a empresa pretende investir 4,7 milhões de Euros nessa tecnologia. Castañeda citou, também, o uso de equipamentos de telecontrole. A empresa possuía 631 equipamentos telecomandados em dezembro de 2015. Em junho de 2017, o número subiu para 3.400 e a previsão é chegar a 4 mil aparelhos em operação até o fim deste ano.

O presidente da Enel Distribuição Rio falou, ainda, sobre a questão das perdas comerciais causadas por fraudes. “Hoje estamos basicamente tendo iniciativas de sustentabilidade para tentar mitigar o impacto desse fenômeno social e ao mesmo tempo estamos fazendo outras ações que são mais regulatórias do que de tecnologia”, afirmou.

Após as apresentações foi realizado debate, mediado pelo diretor-geral do Cepel, Marcio Szechtman, e que contou com as presenças de Ramón Castañeda e do chefe do Departamento de Tecnologia de Distribuição (DTD) do Centro, Ricardo Penido Dutt-Ross. Na ocasião foram abordadas questões como aspectos financeiros, automação e novas tecnologias para redução de perdas.

Ciclo de palestras destaca diferentes segmentos e visões do setor elétrico

As apresentações sobre inovação e digitalização no segmento de distribuição de energia contribuíram para ratificar o caráter de diversidade dos temas abordados no Ciclo de Palestras sobre Inovação Tecnológica com Ênfase no Setor Elétrico promovido pelo Cepel.

Em sua terceira edição, o Ciclo voltou seu foco para a visão empresarial e tecnológica do setor. A série de palestras, iniciada em abril de 2017, foi aberta pelo diretor da Coppe/UFRJ, professor Edson Watanabe, que falou sobre a necessidade de o Brasil formar engenheiros e outros profissionais mais identificados com a inovação.

Já a segunda edição, trouxe a visão de órgãos de governo, ao reunir as palestras do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Nóbrega Barroso, e do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata. Com o tema “Os desafios da EPE e do ONS em um ambiente de intensas inovações tecnológicas”, os dois dirigentes apresentaram um panorama e as perspectivas de suas instituições.

”Dentro da nossa estratégia de nos aproximarmos do setor elétrico como um todo, e discutirmos a questão da inovação tecnológica, convidamos os diretores da ENEL, que é um grupo muito importante, pois representa a maior empresa de distribuição italiana, responsável pela distribuição na Itália e em outros países também. Trata-se de um ator tradicional no setor elétrico“, afirmou o diretor-geral do Cepel, Marcio Szechtman, na abertura do encontro.

“É muito interessante sabermos como um grande grupo distribuidor privado está se organizando no Brasil com foco na inovação”, afirmou o diretor-geral do Cepel, destacando o fato de o setor elétrico estar passando por transformações em todo o mundo.

Em seu pronunciamento, Marcio Szechtman destacou as atividades do Departamento de Tecnologia de Distribuição do Cepel e o processo de implantação de um laboratório de smart grid no Centro. O diretor do Cepel falou, ainda, sobre o início do processo de aproximação que pode resultar em futuras cooperações entre a ENEL e o Centro. “Essa palestra foi o marco inicial de uma aproximação grande. Foi uma discussão muito rica, que certamente trará para os pesquisadores uma série de ideias de novos projetos e novos desenvolvimentos”, afirmou.

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