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Treinamento sobre programa computacional CAMPEM mostra como medir campos elétricos e magnéticos em linhas de transmissão

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Treinamento sobre programa computacional CAMPEM mostra como medir campos elétricos e magnéticos em linhas de transmissão

05-09-2018

O Departamento de Linhas de Transmissão e Equipamentos (DLE) realizou, nos dias 22 e 23 de agosto, treinamento sobre o programa computacional CAMPEM, utilizado para o cálculo de campos elétricos e magnéticos produzidos por linhas de transmissão e induções eletrostáticas por contato com objetos metálicos na vizinhança dessas linhas.  O curso contou com 22 representantes da Eletrobras, Furnas, Chesf, Eletronorte, Eletrosul e Amazonas GT.

 

O primeiro dia de treinamento foi dedicado à parte teórica, quando os pesquisadores Luis Adriano de Melo Cabral Domingues e Carlos Ruy Nunez Barbosa abordaram aspectos relacionados à legislação, metodologia-base do CAMPEM, áreas de atuação e limitações do programa, medições que o validaram e exemplos de sua aplicação.

 

Luis Adriano e Carlos Ruy explicam que, no Brasil, a lei que dispõe sobre a exposição humana a campos elétrico, magnético e eletromagnético data de 2009 (Lei 11.934). Por sua vez, a aplicação desta lei nas instalações do setor elétrico é regulamentada por três resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL): resoluções 398 e 413, de 2010 e 616, de 2014.

 

“As resoluções da ANEEL determinam que as empresas apresentem documentação caracterizando o atendimento aos níveis de campo definidos. Essa caracterização pode ser feita por meio de cálculos ou medições, mas para que a ANEEL aceite os resultados, o programa utilizado tem que ser baseado em metodologia consagrada. O Cepel apresentou a metodologia e todo o trabalho realizado para validação do CAMPEM à ANEEL, que reconheceu o programa como sendo baseado em metodologia consagrada”, explicam.

 

Luis Adriano e Carlos Ruy também apresentaram duas novas funcionalidades da versão 5.0 do CAMPEM.  “Depois de definir a configuração básica para realização do estudo (colocação de condutores e para-raios), o usuário pode alterar valores de alturas e distâncias entre fases de forma automática, diminuindo bastante o tempo de trabalho”, assinalam.  Outra nova opção, segundo os pesquisadores, é a possibilidade de projetar blindagens (proteções) para redução de correntes e tensões em áreas com objetos (carros, casas, etc.) próximos a linhas de transmissão.

 

De acordo com Luis Adriano e Carlos Ruy, os principais usuários do CAMPEM são as empresas Eletrobras, que o utilizam desde 2004 para calcular os campos elétrico e magnético emitidos por suas linhas de transmissão. Mas, o Cepel também comercializa licenças do programa e realiza cálculos e medições para empresas privadas, como Light, Eletropaulo, Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e novas transmissoras.

 

 

SE Adrianópolis – parte prática

 

Para a parte prática do treinamento, ministrada pelos pesquisadores Athanasio Mpalantinos Neto e Paulo Roberto Gonçalves de Oliveira, os participantes foram direcionados à Subestação de Furnas em Adrianópolis, Nova Iguaçu. Na ocasião, os pesquisadores apresentaram os principais medidores de campos elétricos e magnéticos utilizados pelo Cepel no trabalho de campo e mencionaram alguns dos fatores levados em consideração na escolha dos pontos de medição em uma subestação, como a área de circulação e a proximidade dos equipamentos.

 

 

 

A aula prática foi realizada no pátio energizado da SE, onde os participantes realizaram medições utilizando os instrumentos.

 

O engenheiro eletricista Anderson Varzem Machado, da Gerência de Equipamentos de Subestações de Furnas, comenta sobre o treinamento. “Achei extremamente interessante o programa de simulação. Já a medição de campos elétricos e magnéticos em campo nos mostra como estamos expostos na subestação. O curso é de grande valia para as atividades-fim das empresas Eletrobras e deveria ser mais difundido”.

 

 

A opinião é corroborada pelo também engenheiro eletricista Fabio Ramalho, da Área de Manutenção de Linhas de Transmissão da Chesf. “Aqui na empresa somos responsáveis pelas medições dos campos em subestações e linhas de transmissão. O treinamento foi muito útil para nossas atividades e [formulação das] respostas legais que precisamos dar à ANEEL”.

 

 

Visita à Unidade Adrianópolis

 

Ao término da aula prática, os participantes do treinamento tiveram a oportunidade de realizar visita técnica à Unidade Adrianópolis do Cepel, onde, conduzidos pelo pesquisador José Antonio Cardoso, do Departamento de Laboratórios de Adrianópolis, conheceram a infraestrutura dos laboratórios de Ultra-Alta Tensão Externo (Lab UAT Externo) e Alta Tensão (AT1).

 

Um dos pontos altos da visita foi justamente no Lab UAT Externo. Os visitantes puderam acompanhar parte do ensaio de impulso de manobra para determinação da suportabilidade dielétrica em uma estrutura que representa um trecho do bipolo ±800 kVCC do Sistema de Transmissão ligado à Usina Hidrelétrica de Belo Monte. “Trata-se da primeira linha de 800 kVCC construída no Brasil. Assim, esse é um ensaio novo e bastante relevante, que tem como objetivo a definição de uma metodologia para manutenção em linha viva (energizada), minimizando as interrupções no fornecimento de energia quando a linha estiver em operação”, explica José Antonio, acrescentando que o ensaio deve durar mais algumas semanas.