A equipe do Laboratório de Materiais e Propriedades Mecânicas (LabMM), do Departamento de Mecânica e Mecatrônica do Cepel, realizou o acompanhamento de um transformador da Eletronuclear – Angra 1 – entre novembro de 2019 e agosto de 2022, com o objetivo de monitorar as características dos óleos minerais isolantes via ensaios físico-químicos e de teor de gases (AGD). A conclusão dessa análise antecedeu a parada da Usina, um procedimento padrão para o recarregamento de combustível e manutenções diversas.   

  A equipe do LabMM, formada pelos pesquisadores Arthur Ribeiro e Luiz Alberto da Silva, e pelos técnicos Henrique Mendes, Silas Pinto e Ayla Bastos, realizou 33 análises do teor de gases no decorrer desses anos. O acompanhamento passou a ser realizado semanalmente a partir de março deste ano, após a equipe perceber um comportamento anormal, quando o nível de gases combustíveis apresentou uma rápida evolução.  

Para que o material possa ser examinado, a coleta das amostras é transportada pela Eletronuclear e enviada para o Cepel. Já no laboratório, o óleo passa pela análise e então, os resultados são encaminhados para a Eletronuclear, conta Ródnei Abreu – engenheiro eletricista do grupo de Engenharia de Manutenção do Departamento de Gestão da Manutenção e Confiabilidade. O representante da Eletronuclear também falou sobre os desafios durante a pandemia de Covid-19. “Durante o primeiro ano da pandemia, fizemos uma redução no número de análises, estendendo, na medida do possível e baseada na condição dos nossos equipamentos, o intervalo das análises. Porém, tivemos casos específicos, dos quais não podíamos deixar de realizar a análise. Nessas situações, mesmo com as restrições da pandemia, tivemos o pronto atendimento do Cepel”.  

  O pesquisador Arthur Ribeiro detalhou a atividade: “o acompanhamento do óleo isolante (e, consequentemente, do transformador) é feito em periodicidade variável, dependendo dos resultados que são obtidos com as análises. Quando tudo está normal – nível baixo de gases combustíveis e proporções não preocupantes – e o transformador já está operando há um bom tempo, as análises são feitas semestralmente ou, em alguns casos, até anualmente. Se houver alguma evolução anormal nos gases, reduz-se a amostragem para 3 meses, ou até menos”. Já a técnica Ayla Bastos, umas das responsáveis por fazer a análise do óleo no cromatógrafo gasoso, contou que sua função é transferir para o vial o óleo recebido na seringa e “colocar para rodar as amostras”. Entre essas e outras atividades, o processo de monitoramento dos equipamentos que necessitavam de um acompanhamento mais bem apurado foi finalizado com sucesso pela equipe.  

  “A parceria entre Eletronuclear e Cepel tem sido de grande importância para garantir o acompanhamento dos transformadores de Angra 1 e Angra 2 e, por consequência, garantir a confiabilidade deles. Os transformadores acompanhados pelo Cepel estão intimamente ligados à produção de energia e/ou segurança da planta, portanto, são de suma importância para nossas Usinas”, afirmou Ródnei Abreu.  

As atividades de monitoramento já foram retomadas pelo Cepel, pois no dia 22 de setembro foi realizada a reativação da Usina de Angra 1, e com isso ela foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional. Por enquanto, os transformadores voltam ao funcionamento gradativamente, trabalhando em um nível de carga baixa, até o retorno completo das atividades da Usina.