Digitalização amplia eficiência das redes elétricas, mas exige segurança desde a concepção para proteger infraestruturas críticas e garantir resiliência sistêmica
Com o avanço da digitalização do setor elétrico, subestações, sensores e medidores inteligentes passaram a operar conectados em uma rede cada vez mais integrada. Se, por um lado, essa evolução amplia a eficiência e a capacidade de monitoramento, por outro, também aumenta a superfície de ataque e a necessidade de proteger infraestruturas críticas contra riscos cibernéticos. Nesse cenário, cybersecurity by design torna-se essencial: a proteção precisa nascer na arquitetura da subestação digital e na convergência entre TI e TO.
Atuando como um ambiente estratégico para avaliar a segurança e a resiliência das redes elétricas digitais, o Laboratório de Smart Grids e Subestações Digitais do Cepel tem a capacidade de reproduzir um ecossistema completo de tecnologia da informação e tecnologia operacional (TI/TO), integrando sistemas SCADA, dispositivos eletrônicos inteligentes (IEDs), switches e outros equipamentos utilizados na operação da rede.
Em um ambiente seguro e controlado, o Laboratório realiza simulações em tempo real com RTDS (Real Time Digital Simulator) e testes de vulnerabilidade, incluindo pentests, além da validação de sistemas de proteção baseados em protocolos como GOOSE e Sampled Values. A abordagem com Hardware in the Loop permite avaliar o comportamento de equipamentos e sistemas diante de diferentes cenários operacionais e potenciais ataques, sem qualquer risco para redes em operação. Ao mesmo tempo, o laboratório amplia a observabilidade do ambiente e apoia a resposta coordenada entre operação, telecom e cibersegurança — um diferencial técnico relevante para redes elétricas digitais.
“Tudo acontece em tempo real e de forma controlada. Assim, conseguimos monitorar a resiliência a ataques cibernéticos sem colocar nenhuma rede em risco. O ciclo se completa com treinamentos imersivos de resposta a incidentes, simulando situações críticas antes que elas aconteçam no mundo real”, explica Júlia Guerra, Head do laboratório Smart Grids do Cepel.
Além dos ensaios, o laboratório também apoia treinamentos imersivos de resposta a incidentes, simulando situações críticas para preparar profissionais e organizações para lidar com eventos de segurança cibernética.
Ao antecipar ameaças e testar soluções em ambiente controlado, o Cepel contribui para que a digitalização do setor elétrico avance com mais segurança, confiabilidade e resiliência sistêmica. Em 2026, o Cepel intensifica a oferta de serviços do laboratório, incluindo a renovação da acreditação para ensaios de inversores e uma nova estruturação de seu portfólio de serviços, modelo de precificação e estratégia de mercado alinhados às demandas atuais de fabricantes, concessionárias e demais agentes do setor elétrico. Reforça, assim, seu posicionamento como parceiro técnico na validação segura da transformação digital do sistema elétrico.