O GEVAZP, modelo responsável por gerar cenários futuros de vazão que abastecem as usinas hidrelétricas utilizadas pelo DECOMP, passou por uma atualização metodológica que amplia a robustez e a rastreabilidade do processo de geração de séries sintéticas.
Essas séries representam possíveis trajetórias futuras das afluências aos reservatórios, construídas a partir do comportamento histórico observado. Como o planejamento da operação do sistema elétrico envolve incertezas hidrológicas, o modelo trabalha com múltiplos cenários probabilísticos que permitem avaliar riscos e subsidiar decisões energéticas.
A atualização implementada no modelo trouxe um avanço importante: o processo de geração dessas séries passou a ser robusto a mudanças na lista de usinas consideradas pelo DECOMP. Na prática, isso significa que a inclusão ou exclusão de usinas hidrelétricas do modelo não interfere mais nos ruídos hidrológicos utilizados na construção dos cenários das demais usinas.
A adoção dessa abordagem contribui para reduzir efeitos artificiais de variabilidade nos resultados, permitindo que as análises reflitam de forma mais fiel os impactos estruturais decorrentes de mudanças na configuração do sistema.
Essa mesma abordagem já havia sido adotada no NEWAVE, também desenvolvido pelo Cepel para o planejamento da operação do setor elétrico. Com a atualização do GEVAZP, os modelos passam a estar alinhados nesse aspecto metodológico.
Segundo a pesquisadora Renata Pedrini, “a atualização garante que a série de vazões associada a uma usina reflita seu comportamento hidrológico de forma consistente, sem sofrer impactos artificiais decorrentes de mudanças na composição do sistema modelado.”
A implementação fortalece a estabilidade, a transparência e a coerência técnica dos cenários hidrológicos que sustentam o planejamento energético.