A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), autorizou, por meio do Despacho nº 204 de 26 de janeiro de 2026, o uso da versão 22 do modelo computacional DESSEM para o planejamento e programação da operação do SIN (Sistema Interligado Nacional) e para o cálculo do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças). Publicada no Diário Oficial da União em 27 de janeiro, a decisão entrará em vigor a partir do Programa Mensal de Operação Energética (PMO) de março de 2026.
O modelo DESSEM é uma ferramenta estratégica para o setor elétrico, utilizado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Ele permite calcular o despacho de geração e contribui para a formação do PLD, que é referência para as transações de energia no mercado de curto prazo.

“Esta nova versão incorpora avanços relevantes no modelo, como restrições hidráulicas mais sofisticadas estabelecidas pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), uma modelagem para tratar o custo/benefício do acionamento de unidades térmicas ao final do horizonte do DESSEM, e uma funcionalidade adicional para apoiar o ONS na identificação das causas e tratamento de inconsistências de dados e de modelagem referente às restrições de unit commitment térmico. Essas atividades são resultado de discussões e alinhamentos técnicos entre Cepel, ONS e CCEE, reforçando o vínculo e a convergência de esforços para a evolução contínua do modelo.” Danielle de Freitas, pesquisadora do Cepel.
A autorização desta nova versão pela ANEEL reflete esse processo, acompanhando as transformações do setor elétrico e contribuindo para uma operação cada vez mais aderente à realidade do sistema.
“A validação dessa versão do DESSEM, assim como a de novas versões dos modelos NEWAVE, DECOMP e GEVAZP em curso nas respectivas Forças Tarefas com as instituições e agentes, reforça o contínuo aprimoramento dos modelos energéticos desenvolvidos pelo Cepel e utilizados oficialmente no Brasil, para modelar os diversos componentes e aspectos que vêm sendo introduzidos no setor elétrico no contexto da transição energética”, complementa André Diniz, gerente do Departamento de Sistemas Eletroenergéticos do Cepel.

O papel do Cepel e do DESSEM
O DESSEM (Modelo de Despacho Hidrotérmico de Curto Prazo) é desenvolvido pelo Cepel e é fundamental para a operação diária do SIN e cálculo do preço horário de energia. Ele permite otimizar o despacho de usinas hidrelétricas, térmicas e das fontes de energia variável, como eólica e solar, respeitando restrições da rede elétrica e políticas operativas do sistema, e contribuindo para a formação do preço horário da energia. Integrado com outros modelos do Cepel, como NEWAVE e DECOMP, o DESSEM também avalia impactos de fontes renováveis e apoia decisões estratégicas do setor elétrico brasileiro.